Qualquer pessoa acostumada a freqüentar locais de prática esportiva seguramente já ouviu a frase “ if there´s no pain, there´s no gain” | Por Drª Andréa Ferraz de Arruda
Qualquer pessoa acostumada a freqüentar locais de prática esportiva seguramente já ouviu a frase “ if there´s no pain, there´s no gain”. Na prática, esta frase significa “se você não sentir dor, seu treino não será útil”. Tecnicamente isto não deixa de ser verdade, uma vez que o princípio do treinamento consiste no aumento gradual do esforço para se conseguir uma melhora no rendimento físico.
Quando após uma “boa” sessão de exercícios vem aquela sensação de desconforto ou dor leve com rigidez da musculatura, estes sinais comprovam que aquela região foi submetida a esforço físico significante. Porém, o problema é saber dosar a quantidade de esforço para evitar lesões agudas e os problemas do excesso de treinamento, ou “overtraining”.
Existem dois tipos de dores musculares de treinamento. A AGUDA, geralmente acompanhada da sensação de fadiga, aparece durante ou imediatamente após o treino e melhora ao longo do dia. A TARDIA, geralmente começa 12 horas após o treino, atinge o pico de dor entre 24-48 horas e em seguida melhora progressivamente, desaparecendo após 3-4 dias.
Como foi dito anteriormente, não existe a “obrigação” de prevenir o aparecimento das dores musculares, mas seguramente deve se saber o que fazer com elas. De maneira geral, enquanto persistir a dor se deve descansar a região e não realizar exercícios de força ou aeróbio longo.
O uso de gelo e/ou medicação analgésica amenizam a dor e podem facilitar a realização de exercícios de alongamento para evitar a perda de flexibilidade, ou seja, o aparecimento de rigidez muscular. Nesta fase, os exercícios leves seguidos de alongamento e/ou massagem ajudam a “soltar” a musculatura até ela estar pronta para o próximo treino.
Quando durante o ciclo de treinamento ocorre basicamente dor do tipo aguda, mas no restante do tempo a musculatura permanece tensa, chegando até a formar nódulos endurecidos ou pontos-de-gatilho (“trigger points”), o uso de calor pode ser bastante benéfico. Isto porque o calor aumenta o fluxo sangüíneo, melhorando a oxigenação dos músculos e, assim, alivia o espasmo muscular causado pela isquemia. Para que isto ocorra, o calor deve ser absorvido lenta e constantemente, o que melhora a elasticidade dos tecidos e aumenta o fluxo sangüíneo. Os exercícios de alongamento normalmente são mais eficientes nas estruturas aquecidas ou logo após a aplicação de calor.
Procure sempre prestar atenção nos sinais que seu corpo está constantemente enviando: cansaço, dor, rigidez, etc. Por mais que sua planilha de treinamento esteja correta e você seja um esportista experiente, você deve usar o bom senso para não exagerar nos exercícios. Não deixe que um treino forte se transforme em um pesadelo. Use e abuse sempre dos exercícios de alongamento e não se esqueça que o uso de gelo e de calor, apesar de simples, são métodos eficientes para fazer com que seu treinamento fique mais agradável.
Drª Andréa Ferraz de Arruda, que assina esta coluna, é médica especialista em Medicina Desportiva e em Ortopedia e Traumatologia pela USP (e-mail: afarruda@uol.com.br).